O que é o exame BERA?
BERA é o nome em inglês do PEATE, Potencial Evocado Auditivo de Tronco Encefálico, e às vezes aparece como Audiometria de Tronco Encefálico. É um exame eletrofisiológico: mede as respostas elétricas que a orelha interna e o nervo auditivo produzem quando recebem som, ao longo da via que vai do nervo auditivo até o tronco encefálico. Ele não avalia a orelha externa nem a média.
A avaliação é objetiva, ou seja, não depende de o paciente apertar botão nem levantar a mão. É indolor.
Qual dos dois exames é o seu
Bebê que não passou no teste da orelhinha
O exame é o PEATE por Frequência Específica. Ele usa estímulos de baixa intensidade em quatro frequências, 500 Hz, 1.000 Hz, 2.000 Hz e 4.000 Hz, e chega ao limiar eletrofisiológico, que é a estimativa do som mais baixo que o bebê consegue ouvir em cada uma delas. Esse é o caminho para quem ainda não consegue responder à audiometria, e também para crianças e adultos cuja audiometria não trouxe respostas consistentes. O resultado é uma estimativa e pede confirmação comportamental mais adiante.
Zumbido, perda em um ouvido ou suspeita de alteração no nervo
O exame é o BERA Click. O estímulo é o click, um som intenso de banda larga, com energia concentrada entre 1 e 4 kHz. O objetivo é o neurodiagnóstico: verificar se o som chega direito do nervo auditivo ao tronco encefálico. No protocolo de neurodiagnóstico o click é aplicado em intensidade alta e não busca limiar, então ele não fornece limiar por frequência e não substitui a audiometria.
Não existe corte de idade entre os dois: o que define o protocolo é o objetivo da avaliação, e essa escolha é da clínica. Informe no agendamento a idade e o motivo do exame. O PEATE por Frequência Específica é diferente do Potencial Evocado Auditivo do Estado Estável (PEAEE), que usa estímulo modulado e avalia mais frequências em menos tempo, e a escolha depende do caso.
Como é realizado?
O paciente recebe uma série de sons por fones de ouvido. Eletrodos colocados no couro cabeludo e atrás das orelhas registram as respostas elétricas do sistema auditivo. São eletrodos adesivos, colados na pele com um gel condutor: não há agulha, corte, corte de cabelo nem passagem de corrente elétrica. O aparelho apenas registra o que o sistema auditivo produz.
As respostas nascem em pontos diferentes da via auditiva, são amplificadas, registradas e analisadas pelo fonoaudiólogo, que compara os padrões de atividade elétrica em cada etapa do percurso e avalia se a transmissão do som está íntegra. As duas orelhas são avaliadas no mesmo atendimento, uma por vez, e o laudo compara os dois lados.
Em adultos e crianças maiores o exame é feito acordado, deitado e em repouso, com os olhos fechados. Não é preciso dormir, e não há sedação: você pode vir sozinho e dirigir depois. O preparo do cabelo vale para qualquer idade.
Em bebês, o exame é feito durante o sono. Durante o registro, o bebê fica sem mamar e sem chupeta, porque o movimento de sucção interfere na captação.
O BERA Click leva cerca de 50 minutos. O PEATE por Frequência Específica é mais longo, porque busca limiar em quatro frequências nas duas orelhas, e pode exigir um retorno para completar a coleta.
Não há jejum. O bebê deve chegar alimentado, e adultos podem comer normalmente antes.
Preparo do exame
O que trazer no dia
- Pedido médico. É obrigatório para agendar o exame.
- Audiometria feita há no máximo doze meses. Em perda súbita, flutuante ou progressiva, pedimos audiometria do dia, e ela pode ser feita aqui.
- Resumo de alta da maternidade.
- Resultado da triagem auditiva neonatal, o teste da orelhinha.
- Exames anteriores, se houver.
- Informações sobre a saúde geral, incluindo otite ou resfriado recente.
Preparo
- Lavar o cabelo na véspera com shampoo neutro, sem creme, óleo ou gel na cabeça.
- Usamos um gel condutor nos pontos dos eletrodos. Ele sai com água na primeira lavagem, e não é preciso cortar nem raspar cabelo.
- Em bebês e crianças pequenas, preparar a criança para dormir durante o exame.
Como ajudar o bebê a dormir no exame
Recém-nascido e bebê de poucos meses: agende perto do horário da mamada e não mexa na rotina de sono. Para crianças um pouco maiores, funciona atrasar um pouco o sono da véspera e acordar mais cedo:
- Se precisar, deixe a criança dormir mais tarde na véspera e acorde-a mais cedo.
- Não deixe a criança dormir no caminho para a clínica. Se ajudar, traga alguém para distraí-la durante o trajeto.
- Na clínica limpamos a pele e colocamos os eletrodos. Depois disso você pode amamentar até o bebê dormir.
- Traga o que ajudar no sono: cobertor (a sala tem ar-condicionado), mamadeira, fraldas e objetos de apego como chupeta, pelúcia, travesseiro e paninho.
Quando o exame é indicado
Indicações do BERA Click
- Exame adicional no diagnóstico diferencial da avaliação audiológica.
- Complemento da avaliação otoneurológica, na investigação do nervo vestibulococlear e do tronco encefálico.
- Investigação da integridade funcional e da sincronia neural da via auditiva.
- Perda auditiva assimétrica ou em uma orelha só.
- Triagem de alteração retrococlear, ou seja, depois da orelha interna, incluindo suspeita de Schwannoma vestibular, um tumor benigno do nervo do equilíbrio. A confirmação é por ressonância magnética.
- Discrepância entre a dificuldade de entender a fala e o resultado da audiometria.
- Diagnóstico diferencial da Doença do Espectro da Neuropatia Auditiva, em que a orelha capta o som e o nervo não transmite direito.
- Antes da avaliação do processamento auditivo, para descartar alteração da via periférica e do tronco encefálico.
- Investigação de zumbido no ouvido e de hiperacusia, o desconforto com sons de volume comum.
Indicações do PEATE por Frequência Específica
- Bebês que não passaram no teste da orelhinha ou que têm fatores de risco para perda auditiva, para investigar o limiar auditivo.
- Crianças e adultos em que não é possível fazer audiometria, ou em que a audiometria infantil condicionada não trouxe respostas consistentes.
Dúvidas frequentes sobre o exame BERA
O que é o exame BERA?
É o registro das respostas elétricas que a orelha interna e o nervo auditivo produzem diante do som, da saída do nervo até o tronco encefálico. Não depende da resposta do paciente e é feito em qualquer idade, do recém-nascido ao adulto.
Preciso de pedido médico?
Sim. O pedido médico é obrigatório para agendar o exame.
O exame BERA pode substituir a audiometria?
Depende da idade e da condição do paciente. A partir dos seis meses a audiometria comportamental já é viável e costuma ser o primeiro exame. Quando ela não traz respostas consistentes e confiáveis, ou quando a criança tem indicadores de risco, o PEATE por Frequência Específica é o exame indicado. Em adultos, a audiometria é o exame de referência para avaliar a audição, e o PEATE por Frequência Específica entra quando o paciente não consegue seguir as orientações e dar respostas confiáveis, como em casos de demência.
Por que é preciso ter uma audiometria para fazer o BERA?
O BERA Click é um exame de neurodiagnóstico: avalia a integridade da via do nervo auditivo até o tronco encefálico, e para isso é preciso conhecer a audição do paciente. Esses dados orientam a escolha do protocolo e a análise das respostas. Por isso pedimos uma audiometria dos últimos doze meses, e quem não tem faz na clínica no mesmo dia. No PEATE por Frequência Específica em bebês, que é justamente o exame de quem ainda não consegue fazer audiometria, a exigência não se aplica.
Quanto tempo dura o exame?
O BERA Click leva cerca de 50 minutos. O PEATE por Frequência Específica é mais longo, porque busca limiar em quatro frequências nas duas orelhas, e em bebês depende de quanto tempo a criança dorme, o que pode exigir um retorno para completar a coleta.
O exame é feito com sedação?
Na Fonotom o BERA é realizado em sono natural, sem sedação. O sono natural funciona bem em bebês nos primeiros meses de vida, que é quando eles dormem o tempo necessário para a coleta inteira. Acima de mais ou menos seis meses a criança em geral não sustenta o sono por todo esse tempo, e nesses casos pode ser preciso um retorno ou o encaminhamento para exame com sedação em ambiente hospitalar.
Quem entrega e explica o resultado?
O profissional que realizou o exame, o mesmo que conduziu a coleta e analisou as respostas.
O BERA na investigação do zumbido
Quem chega com zumbido costuma sair de uma audiometria normal e sem explicação. A acufenometria mede o seu zumbido, em frequência e intensidade. O BERA olha para outra coisa: se o som atravessa a via auditiva além da orelha interna, até o nível do tronco encefálico, sem alteração. Os dois podem ser feitos no mesmo atendimento, e nenhum dos dois trata o zumbido.
No zumbido em uma orelha só é preciso avaliar cada lado separadamente e comparar as duas, e é isso que o laudo do BERA traz.
Existe a hipótese, ainda em investigação, de lesões na sinapse entre a célula ciliada interna e o nervo auditivo que não aparecem no limiar da audiometria. Alguns estudos encontram sinal disso em exames eletrofisiológicos, outros não, e o achado não fecha diagnóstico.
O zumbido é sintoma de algo, e as causas possíveis são muitas. O BERA participa dessa investigação, e o resultado é explicado pelo profissional que realizou o exame.
Fora do zumbido, o exame também é usado para investigar perda auditiva de origem desconhecida, hiperacusia, lesões no tronco encefálico e, como a eletrococleografia, alterações da orelha interna. Na triagem auditiva de recém-nascidos usa-se o PEATE automático, de rastreio. Quando a triagem falha, o diagnóstico é feito com o PEATE por Frequência Específica.
Quanto custa o exame BERA
O valor é informado pela clínica no agendamento, pelo WhatsApp (11) 93392-6028. O atendimento é particular na unidade de Higienópolis, e a Fonotom emite nota fiscal para que o paciente solicite reembolso ao seu plano de saúde. A cobertura varia entre operadoras e deve ser confirmada com o plano antes do exame.
Onde fazer o exame BERA em São Paulo
A Fonotom realiza o exame BERA na Avenida Angélica, 1968, sala 64, em Higienópolis, São Paulo. O agendamento é pelo WhatsApp (11) 93392-6028. Informe a idade e o motivo do exame, com o pedido médico em mãos.
Agende o exame BERA em São Paulo.
Conteúdo revisado por Andrea Soares, fonoaudióloga, CRFa 2-11424. Mestre em Saúde da Comunicação Humana pela Santa Casa de São Paulo e Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa nº 7788/20).
Última revisão: 9 de setembro de 2026.