Se o seu bebê falhou no teste da orelhinha na maternidade, o próximo passo é um reteste, e ele precisa acontecer logo. A falha não fecha diagnóstico e também não afasta a possibilidade de alteração: ela indica que a audição do bebê precisa ser avaliada com calma e com exames que a maternidade não faz.
Se o seu bebê falhou na triagem
Boa parte das falhas tem causa técnica, não auditiva. Exame feito nas primeiras horas de vida, vérnix no conduto auditivo e secreção na orelha média fazem o aparelho não captar a resposta de um bebê que ouve bem. Um estudo brasileiro em maternidade com alta precoce encontrou falha na primeira tentativa em metade dos recém-nascidos, e todos tinham resposta presente no reteste. Para dimensionar o risco real: a perda auditiva permanente aparece em 1 a 6 de cada mil nascidos vivos, e entre bebês que passaram por UTI neonatal a proporção é maior.
Isso não torna o reteste dispensável, torna urgente. A recomendação internacional trabalha com três marcos: triagem concluída, incluindo o reteste, até o primeiro mês de vida; diagnóstico fechado até o terceiro mês; e início da intervenção até o sexto mês, quando ela é necessária. Quanto mais cedo o reteste acontece, mais folga existe nos marcos seguintes.
O que é o teste da orelhinha
Teste da orelhinha é o nome popular da Triagem Auditiva Neonatal. A Lei nº 12.303, de 2010, obriga hospitais e maternidades a realizar gratuitamente o exame de Emissões Otoacústicas Evocadas nos bebês nascidos em suas dependências. A recomendação técnica vai além da lei: a triagem deve ser universal, e bebês com indicador de risco para perda retrococlear são triados com PEATE automático, não com emissões otoacústicas.
Quando o bebê tem indicador de risco
Alguns bebês precisam de acompanhamento mesmo tendo passado na triagem, e o indicador de risco define qual procedimento e qual prazo. Os indicadores se dividem em dois grupos, porque cada um pede um exame diferente.
Ligados a perda na orelha interna
- Infecções congênitas do grupo STORCH+Z: sífilis, toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus, herpes e Zika, inclusive quando o diagnóstico ainda está em investigação.
- Uso de medicações ototóxicas.
- Anomalias craniofaciais que envolvem a orelha e o osso temporal, como microtia, atresia de conduto, apêndice pré-auricular, fenda labiopalatina e microcefalia congênita.
- Surdez de origem genética na família.
- Ao longo da infância, síndromes que costumam expressar perda auditiva, infecções como meningite, sarampo, rubéola, varicela e caxumba, traumatismo craniano e quimioterapia.
Ligados a perda no nervo auditivo e no tronco encefálico
- Permanência em UTI neonatal por mais de cinco dias.
- Peso ao nascer abaixo de 1.500 gramas.
- Hiperbilirrubinemia com exsanguineotransfusão.
- Ventilação mecânica por mais de cinco dias e oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO).
- Anóxia grave e encefalopatia hipóxico-isquêmica.
- Hemorragia periventricular.
Bebê com indicador desse segundo grupo é avaliado com PEATE, não com emissões otoacústicas, porque a alteração pode estar depois da orelha interna, onde as emissões não alcançam.
O prazo da primeira avaliação depende do indicador. Bebê com Zika congênito é avaliado até o primeiro mês de vida. Com citomegalovírus congênito, ou depois de ECMO, até o terceiro mês. Nos demais indicadores, até o nono mês. Daí em diante o intervalo é definido caso a caso, pelo indicador e pelo que a família observa no desenvolvimento da audição e da fala. Qualquer preocupação da família antecipa a avaliação.
Como é a visita
Nenhum dos exames dói. O BERA e o PEAEE exigem que o bebê esteja dormindo, e na Fonotom isso é feito em sono natural, sem sedação. A imitanciometria e as emissões otoacústicas podem ser feitas com o bebê acordado e quieto. A imitanciometria varia a pressão dentro do conduto por alguns segundos, o que incomoda um pouco sem doer, e bebê incomodado com a manipulação pode chorar sem que isso signifique dor.
Não há jejum. O bebê deve chegar alimentado e acordado, porque ele precisa adormecer na clínica. Os exames do protocolo são feitos no mesmo atendimento, e se o bebê acordar antes do fim, o que faltou é retomado depois.
Preparo e sono
O bebê precisa chegar acordado e adormecer na clínica, e é isso que define como preparar o dia.
O que trazer no dia
- Pedido médico. É obrigatório para agendar.
- Resumo de alta da maternidade.
- Resultado da triagem auditiva feita na maternidade.
- Exames anteriores, se houver.
- Informações sobre a saúde geral do bebê, incluindo otite ou resfriado recente.
Preparo
- Lavar o cabelo na véspera com shampoo neutro, sem creme, óleo ou gel na cabeça.
- Preparar o bebê para dormir durante o exame.
Como ajudar o bebê a dormir no exame
Recém-nascido e bebê de poucos meses: agende perto do horário da mamada e não mexa na rotina de sono. Para bebês um pouco maiores, funciona atrasar o sono da véspera:
- Se precisar, deixe o bebê dormir mais tarde na véspera e acorde-o mais cedo.
- Mantenha o bebê acordado até a hora do exame.
- Não deixe o bebê dormir no trajeto até a clínica. Se ajudar, traga alguém para distraí-lo no caminho.
- Na clínica limpamos a pele e colocamos os eletrodos. Depois disso você pode alimentá-lo e colocá-lo para dormir.
- Traga o que ajudar no sono: cobertor (a sala tem ar-condicionado), mamadeira, chupeta, fraldas e objetos de apego como pelúcia e paninho.
Quais exames entram e por quê
Bebê que falhou na triagem: checamos primeiro se há alteração na orelha média e depois medimos o quanto ele escuta em cada tom. Bebê com indicador de risco: a mesma avaliação, repetida no prazo que o indicador pede. A partir de mais ou menos seis meses de idade de desenvolvimento, entram também os exames em que se observa a reação do bebê ao som.
A avaliação segue o princípio do cross-check: exames diferentes, analisados em conjunto, conferindo um ao outro. Nenhum resultado isolado define conduta sem uma segunda medida independente que o confirme.
Os exames usados são a imitanciometria, que mede a função da orelha média e usa sonda de 1.000 Hz nos primeiros meses de vida, porque a sonda comum de 226 Hz deixa passar alteração nessa idade; as emissões otoacústicas, que avaliam as células da orelha interna; o PEATE, também chamado de BERA, que mede a resposta elétrica ao som ao longo do nervo auditivo até o tronco encefálico; o PEAEE, parecido com o PEATE e que cobre mais tons em menos tempo; e, quando a idade permite, a audiometria infantil condicionada. Quais entram no protocolo do seu bebê é definido pela idade e pelo motivo da avaliação.
O que acontece depois do resultado
O resultado é explicado pelo profissional que realizou o exame, o mesmo que conduziu a coleta e analisou as respostas.
Se a avaliação confirmar perda auditiva, o caminho continua com o médico e com a indicação de conduta fonoaudiológica, que pode incluir aparelho auditivo e terapia. Perda identificada nos primeiros meses de vida tem o melhor prognóstico para o desenvolvimento da fala, e é por isso que os prazos dessa investigação são curtos.
Dúvidas frequentes sobre o teste da orelhinha
Meu bebê falhou no teste da orelhinha. Ele é surdo?
Não é o que a falha significa. A maioria dos bebês que falha na maternidade tem audição normal no reteste, e boa parte das falhas tem causa técnica, como exame feito nas primeiras horas de vida ou vérnix no conduto. A perda auditiva permanente aparece em 1 a 6 de cada mil nascidos vivos. O que não se pode é deixar de retestar.
Quando fazer o reteste?
O quanto antes. A triagem, incluindo o reteste, deve estar concluída até o primeiro mês de vida, para que o diagnóstico feche até o terceiro mês.
O exame dói?
Não. Nas emissões otoacústicas e na imitanciometria a resposta é captada por uma sonda no fone de ouvido. No PEATE e no PEAEE, por eletrodos adesivos colados na pele com gel condutor. Não há agulha, corte nem passagem de corrente elétrica, e o gel sai com água na primeira lavagem.
O bebê precisa dormir? É com sedação?
Depende do exame. O PEATE e o PEAEE exigem sono, e na Fonotom são feitos em sono natural, sem sedação, que funciona bem nos primeiros meses de vida. A imitanciometria e as emissões otoacústicas podem ser feitas com o bebê acordado e quieto.
Preciso de pedido médico?
Sim. O pedido médico é obrigatório para agendar.
Meu bebê passou na triagem. Posso parar de acompanhar?
Não. Parte das perdas auditivas aparece depois, e passar na triagem não descarta perda de início tardio ou progressiva. Continue acompanhando os marcos de audição e de fala, e volte se algo chamar sua atenção.
E se a avaliação confirmar perda auditiva?
O caminho continua com o médico e com a indicação de conduta fonoaudiológica, que pode incluir aparelho auditivo e terapia. Perda identificada nos primeiros meses tem o melhor prognóstico para o desenvolvimento da fala.
Qual a diferença entre os dois tipos de BERA?
O BERA Click verifica se o som atravessa a via auditiva do nervo auditivo até o tronco encefálico, e não fornece limiar por frequência. O BERA por Frequência Específica chega ao limiar eletrofisiológico e mostra o quanto o bebê escuta em cada frequência. Qual dos dois entra no protocolo é decisão da clínica, a partir da idade e do motivo da avaliação.
Quem entrega e explica o resultado?
O profissional que realizou o exame, o mesmo que conduziu a coleta e analisou as respostas.
Quanto custa a avaliação da audição do bebê
O valor é informado pela clínica no agendamento, pelo WhatsApp (11) 93392-6028, e depende de quais exames entram no protocolo. O atendimento é particular na unidade de Higienópolis, e a Fonotom emite nota fiscal para que a família solicite reembolso ao plano de saúde. A cobertura varia entre operadoras e deve ser confirmada com o plano antes do exame.
Onde avaliar a audição do bebê em São Paulo
A Fonotom atende na Avenida Angélica, 1968, sala 64, em Higienópolis, São Paulo. O agendamento é pelo WhatsApp (11) 93392-6028. Informe a idade do bebê, se ele falhou na triagem da maternidade e se existe algum indicador de risco, porque é isso que define o protocolo.
Acompanhar a audição faz parte de acompanhar o desenvolvimento. Dois textos que ajudam: o que fazer se seu filho falhou no teste da orelhinha e os marcos do desenvolvimento infantil.
Agende a avaliação da audição do seu bebê em São Paulo.
Conteúdo revisado por Andrea Soares, fonoaudióloga, CRFa 2-11424. Mestre em Saúde da Comunicação Humana pela Santa Casa de São Paulo e Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa nº 7788/20).
Última revisão: 9 de setembro de 2026.