O que é a microaudiometria e para que serve
O silêncio é um luxo que muitos dão como garantido, até que ele é interrompido por um chiado, apito ou zumbido persistente. No Brasil, estima-se que 28 milhões de pessoas convivam com o zumbido (tinnitus), segundo o Conselho Federal de Fonoaudiologia. A jornada comum dessas pessoas é frustrante: consultam especialistas, realizam exames e ouvem a frase desalentadora: "Sua audição está normal, você precisa aprender a conviver com esse som".
Na Fonotom, sabemos que "normal" na audiometria convencional não significa ausência de lesão. A ciência auditiva evoluiu e, com ela, a Microaudiometria AMA-PTA surgiu como o próximo passo no diagnóstico de precisão.
Audiometria comum e a realidade da cóclea
A audiometria tonal convencional é um exame de diagnóstico audiológico eficiente para a vida social, mas é tecnicamente limitada para o diagnóstico de zumbido. Imagine tentar encontrar uma pequena rachadura em uma parede usando apenas uma lanterna de baixa potência que ilumina pontos a cada 2 metros. Você verá os grandes buracos, mas perderá as fissuras menores.
O que fica entre as frequências testadas
O exame convencional testa pontos isolados entre 250 e 8.000 Hz, em oitavas e meias oitavas. A audiometria de altas frequências estende esse alcance até 16.000 Hz e continua testando pontos isolados, com intervalos largos entre um e outro. Quando a lesão coclear é estreita, ela cai no espaço entre dois pontos testados, e o resultado sai dentro da normalidade.
A microaudiometria AMA-PTA (Automated Micro-Audiometry) muda a resolução. Ela varre de 250 a 12.000 Hz em até 134 bandas, contra os poucos pontos do exame convencional. É nessa densidade que aparece o entalhe auditivo estreito, o auditory notch, que passa em branco com frequência na varredura convencional. Os audiogramas de 134 bandas com esses entalhes foram apresentados por Kwak, Song e Kwak em resumo de congresso da American Academy of Otolaryngology, em 2007, sem artigo revisado por pares, e os autores têm vínculo com a empresa que desenvolveu a tecnologia. A sustentação independente vem de outro grupo: Xiong e colaboradores, na Hearing Research, testaram 106 pacientes com audiograma normal em passo de 1/24 de oitava e encontraram perda não detectada em 49% deles.
A hipótese mais aceita é que o cérebro aumenta o ganho na faixa privada de sinal, e o zumbido surge desse ajuste.
Acima de 12.000 Hz quem alcança é a audiometria de altas frequências, e há achado de zumbido nessa faixa. Os dois exames respondem perguntas diferentes, um o alcance e o outro a resolução, e no protocolo de zumbido entram juntos.
Perda auditiva oculta: a ciência da sinaptopatia coclear
Um dos conceitos mais importantes na fonoaudiologia moderna, e que fundamenta a necessidade da Microaudiometria, é a Perda Auditiva Oculta.
Pesquisas conduzidas no Massachusetts Eye and Ear, hospital de ensino ligado à Harvard Medical School, descrevem que o dano auditivo pode começar nas sinapses entre as células ciliadas internas e o nervo auditivo, antes mesmo que essas células morram. A referência é Kujawa e Liberman, no Journal of Neuroscience, em 2009, em modelo animal. Em humanos, a evidência vem de ossos temporais examinados post mortem, e ainda não se traduziu em exame de consultório.
- Sintoma: você ouve as pessoas falarem, mas tem dificuldade de entender em ambientes barulhentos.
- Diagnóstico comum: audiometria normal.
- O que a microaudiometria acrescenta: o mapeamento fino dos limiares, que encontra lesão coclear estreita fora do alcance da audiometria comum.
A perda de sinapses não aparece como alteração de limiar, e ainda não existe exame clínico validado para medi-la. A microaudiometria não a detecta. O que ela faz é mapear os limiares em detalhe, e é esse mapa que ajuda o fonoaudiólogo a planejar a conduta. É assim que atuamos na Fonotom.
A microaudiometria não é invasiva: não há picada, contraste nem preparo com medicação.Protocolo clínico Fonotom: o que esperar do exame
Diferente de um exame rápido de rotina, a Microaudiometria na Fonotom é um procedimento de investigação profunda.
- Imersão acústica: o exame é realizado em sala acusticamente tratada, onde o nível de ruído residual é rigorosamente controlado para não interferir nos limiares de audição fina.
- Calibração: os fones e o audiômetro são calibrados anualmente, conforme a exigência do conselho de fonoaudiologia. Numa varredura de 134 bandas há uma limitação a registrar: os valores de referência de limiar da norma ISO 389 existem só para as frequências audiométricas padrão, então nas bandas intermediárias a leitura é comparativa, pelo formato da curva, e não contra um zero normativo.
- Duração e foco: o paciente participa ativamente de uma varredura que dura cerca de 40 minutos, feita com pausa, porque atenção sustentada por mais de 20 minutos piora a confiabilidade das respostas. É o mapa de limiares mais detalhado que a clínica oferece, e ele se lê junto com as emissões otoacústicas e o PEATE, que medem outras partes do sistema.
O impacto no tratamento: da identificação à habituação
Ter um diagnóstico preciso via Microaudiometria muda o prognóstico do tratamento de zumbido. Sem esse exame, as terapias são genéricas. Com ele, elas são personalizadas:
Terapia Sonora: baseia-se na neuroplasticidade. A acufenometria aproxima a frequência do zumbido. É uma estimativa, não uma medida exata, e é ela que indica em que faixa a microaudiometria vale a pena olhar em detalhe. A microaudiometria mostra o estado da cóclea nessa faixa. Com as duas informações, o gerador de som ou o aparelho auditivo é configurado para mascaramento parcial ou enriquecimento sonoro na faixa certa, em vez de um som genérico. Isso acelera a habituação, quando o cérebro passa a ignorar o zumbido como ignora o toque da roupa na pele.
Em nossa prática clínica aqui na Fonotom observamos pacientes com queixa de zumbido há muito tempo, com diferentes exames dentro da normalidade, incluindo a audiometria de altas frequências. Para esses casos, a Microaudiometria é um exame diferencial, que permite avaliar a audição em detalhe e encontrar lesões até então desconhecidas.
O ambiente ficou mais ruidoso, com fone de ouvido no dia inteiro e poluição sonora urbana, e a saúde auditiva caminha para o diagnóstico precoce. Esperar que a perda apareça na audiometria comum para começar a tratar o zumbido custa qualidade de vida no intervalo, com prejuízo de sono e aumento de ansiedade. A Microaudiometria AMA-PTA permite intervenções rápidas e precoces.
A microaudiometria não substitui a avaliação audiológica convencional, que informa tipo e grau da perda auditiva. Ela entra como complemento, com a resolução que o exame comum não tem.
Perguntas frequentes sobre Microaudiometria
A microaudiometria dói?
Não. É um exame indolor e não invasivo, semelhante à audiometria comum, porém mais detalhado e mais longo.
Qualquer pessoa com zumbido deve fazer?
É indicada principalmente para quem já fez os exames comuns sem encontrar causa. Nesses casos ela é a leitura técnica que ainda falta.
A microaudiometria identifica a frequência do meu zumbido?
Não. Isso é papel da acufenometria. A microaudiometria responde outra pergunta, onde está a lesão na cóclea. No protocolo de zumbido as duas entram juntas.
A Fonotom utiliza a tecnologia AMA-PTA em todos os pacientes?
Utilizamos como um passo decisivo no protocolo de avaliação e tratamento do zumbido.
Quando procurar um médico antes
Alguns sinais pedem avaliação médica antes de qualquer exame de audição, e não devem esperar agendamento de investigação: zumbido em uma orelha só, zumbido pulsátil, que acompanha o ritmo do coração, perda auditiva que apareceu de repente, tontura ou vertigem junto com o zumbido, dor de cabeça forte, e qualquer alteração de fala, de visão, de força, de sensibilidade ou de movimento da face. Nesses casos existe uma causa que precisa ser investigada primeiro: procure um otorrinolaringologista, e a avaliação médica não deve esperar pelo exame.
Dois limites do exame que vale conhecer antes: resultado normal não exclui lesão, porque a microaudiometria mede limiares e outras partes do sistema auditivo pedem outros exames; e encontrar um entalhe não prova que ele é a causa do seu zumbido. O achado entra na avaliação junto com a história clínica e os demais exames.
Quanto custa o exame de Microaudiometria
O valor do exame de Microaudiometria é informado pela clínica no agendamento, pelo WhatsApp (11) 93392-6028. O atendimento é particular, e a Fonotom emite nota fiscal para que o paciente solicite reembolso ao seu plano de saúde. A cobertura varia entre operadoras e deve ser confirmada com o plano antes do exame.
Onde fazer o exame de Microaudiometria em São Paulo
A Fonotom realiza o exame de Microaudiometria na Avenida Angélica, 1968, sala 64, em Higienópolis, São Paulo. O agendamento é pelo WhatsApp (11) 93392-6028.
Um zumbido sem causa identificada costuma vir de uma lesão que os exames convencionais não alcançam. A microaudiometria AMA-PTA aumenta a resolução dessa busca e entrega ao fonoaudiólogo o dado com que se planeja o tratamento.
Agende sua avaliação de Microaudiometria em São Paulo.
Conteúdo revisado por Andrea Soares, fonoaudióloga, CRFa 2-11424. Mestre em Saúde da Comunicação Humana pela Santa Casa de São Paulo e Especialista em Audiologia pelo Conselho Federal de Fonoaudiologia (CFFa nº 7788/20).
Última revisão: 9 de setembro de 2026.