Como o tratamento de câncer pode afetar a audição em crianças?

Medicamentos, radioterapia e até mesmo antibióticos podem afetar a audição infantil. Saiba por que o acompanhamento fonoaudiológico é essencial para garantir a saúde auditiva em crianças em tratamento de câncer.

câncer infantil

O câncer infantil é uma realidade desafiadora, mas os avanços médicos têm aumentado significativamente as taxas de sobrevivência. No entanto, um aspecto que merece atenção especial é o impacto do tratamento oncológico na audição das crianças. Muitos medicamentos e terapias utilizados no combate ao câncer podem causar danos ao sistema auditivo, afetando a qualidade de vida dos pequenos pacientes a longo prazo. Mas não precisa ser assim. Neste artigo, explicamos como o tratamento do câncer pode prejudicar a audição, quais são os principais riscos e, principalmente, como é possível monitorar esses efeitos com acompanhamento fonoaudiológico especializado.

Primeiramente, precisamos entender que diferentes tipos de câncer pediátrico exigem abordagens terapêuticas distintas, de acordo com a complexidade do caso. No entanto, alguns tratamentos relativamente comuns, como o caso da quimioterapia e da radioterapia, podem ser ototóxicos, ou seja, tóxicos para as estruturas do ouvido.

A ototoxicidade refere-se ao dano nas estruturas do ouvido interno, particularmente nas células ciliadas da cóclea, responsáveis pela audição. Esse dano pode resultar em perda auditiva permanente ou temporária. Na oncologia pediátrica, certos medicamentos quimioterápicos, como o cisplatina e o carboplatina, são conhecidos por seus efeitos ototóxicos. Estudos indicam que a perda auditiva pode ocorrer em até 82,6% das crianças tratadas com medicamentos à base de platinos. Um levantamento realizado pela American Cancer Society, em 2022, com o uso de cisplatina, por exemplo, revelou que até 60% das crianças tratadas com o medicamento desenvolvem algum grau de perda auditiva, muitas vezes irreversível.

Outros medicamentos podem ser utilizados durante o tratamento do câncer infantil e apresentam potencial ototóxico. Os aminoglicosídeos como a gentamicina, ou diuréticos como a furosemida, podem causar danos auditivos, especialmente quando combinados com outros agentes ototóxicos.

Além dos medicamentos, a radioterapia também pode causar perda auditiva em crianças quando a radiação atinge áreas próximas aos ouvidos. Crianças submetidas a radioterapia craniana repetidas vezes têm maior risco de desenvolver perda auditiva.

Crianças em tratamento oncológico estão ainda mais vulneráveis à perda auditiva do que os adultos, devido a fatores como a imaturidade do seu sistema auditivo e a maior sensibilidade a medicamentos ototóxicos. Por isso, é tão importante realizar um acompanhamento audiológico eficaz em crianças submetidas ao tratamento oncológico. Crianças com perda auditiva não diagnosticada ou não tratada podem enfrentar desafios significativos, como atrasos no desenvolvimento da fala, dificuldades em acompanhar o ritmo escolar (já que muitos fonemas e instruções podem ser perdidos) e até mesmo isolamento social, devido à dificuldade de comunicação. Esses impactos podem afetar não apenas seu presente, mas também seu futuro acadêmico e emocional, reforçando a necessidade de detecção e intervenção precoces.

Como prevenir e reduzir os danos auditivos em crianças em tratamento oncológico? O acompanhamento fonoaudiológico é essencial para monitorar a audição de crianças submetidas a tratamentos oncológicos. O fonoaudiólogo, em parceria com a equipe médica, atua desde a fase de diagnóstico até a reabilitação, garantindo que qualquer alteração auditiva seja identificada precocemente e tratada da melhor forma possível.

1. Monitoramento audiológico regular

Antes de iniciar o tratamento, é fundamental realizar uma avaliação auditiva completa para estabelecer um "mapa" da audição da criança. Exames como:

● Audiometria tonal (avalia a capacidade de ouvir sons em diferentes frequências);

● Emissões Otoacústicas (verifica o funcionamento das células ciliadas da cóclea);

devem ser repetidos durante e após o tratamento, permitindo detectar qualquer alteração precocemente. O fonoaudiólogo é o profissional responsável por interpretar esses resultados e orientar a família e a equipe médica sobre possíveis alterações auditivas.

2. Ajuste de medicamentos e estratégias para minimizar a ototoxicidade

Em alguns casos, quando possível, o oncologista pode optar pela substituição ou ajuste de doses de quimioterápicos ototóxicos, como a cisplatina, reduzindo os riscos sem comprometer a eficácia do tratamento. O fonoaudiólogo pode acompanhar a evolução auditiva durante todo o processo.

3. Reabilitação auditiva e apoio global

Se a perda auditiva já estiver instalada, o fonoaudiólogo é o profissional-chave para:

● Indicar e adaptar os aparelhos auditivos quando necessário;

● Realizar terapia de reabilitação auditiva, ajudando a criança a desenvolver ou recuperar a compreensão da fala;

● Orientar escolas e familiares sobre adaptações para melhorar a comunicação e o aprendizado.

A atuação do fonoaudiólogo não se limita ao diagnóstico, mas também ao acompanhamento contínuo, garantindo que a criança tenha todas as ferramentas necessárias para se desenvolver plenamente, mesmo após o tratamento oncológico. Quanto antes a intervenção começar, melhores serão os resultados.

A detecção precoce da perda auditiva é essencial para minimizar seus impactos. Recomenda-se a realização de avaliações audiológicas antes, durante e após o tratamento oncológico. A International Society of Paediatric Oncology recomenda avaliações auditivas apropriadas à idade antes e ao final do tratamento, e idealmente antes de cada ciclo de cisplatina.

O tratamento do câncer infantil salva vidas, mas seus efeitos colaterais na audição podem ser duradouros. Com monitoramento constante, exames preventivos e intervenção fonoaudiológica precoce, é possível garantir que as crianças tenham não apenas a cura do câncer, mas também uma vida com comunicação plena e desenvolvimento saudável.

Muitos pais não sabem do impacto de medicamentos para a saúde auditiva, por isso é essencial estar atento quando há fatores de risco para perda auditiva, como prematuridade, infecções graves que precisem de medicação ototóxica ou problemas renais.

Na nossa clínica, oferecemos avaliações auditivas especializadas e acompanhamento personalizado para crianças em tratamento oncológico. Se seu filho está passando por essa jornada, agende uma consulta e garanta que sua audição esteja protegida e que ele vença a luta com mais qualidade de vida.
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